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Musculação ganha
nova coreografia
A "velha" aeróbica divide o estrelato com o body pump e lift training, modalidades de exercícios que acabam com a monotonia na sala de ginástica
Ana Cristina Lavratti
"Anêmica" ante tantas novidades no cardápio de malhação, a quase "balzaquiana" aeróbica bem que tentou reagir. Ficou mais picante, com salsa, mambo, axé e funk embalando as coreografias. Subiu no pódio ou melhor, no step, lançando aulas em que cada um treina de acordo com seu ritmo. E, por fim, ganhou nova luz, no sentido literal, com lanternas acesas nas mãos dos alunos, que podem tanto se divertir com o festival pirotécnico no teto da sala escura quanto disfarçar a reprovação do espelho no caso dos menos coordenados. Mise-én-scène à parte, até mesmo a moda proclamada modo de vida perdeu o fôlego. E agora tem dividido o estrelato com novos aparelhos e modalidades de aula, como o body pump e o lift training, que prometem deixar a galera in shape antes do próximo verão.
Desenvolvido na Nova Zelândia, o body pump é uma espécie de musculação na sala de ginástica. As sessões exigem equipamentos específicos, têm seqüências cronometradas com a trilha sonora e a cada três meses o programa muda simultaneamente em todo o mundo. O esquema é rígido? Claro que sim, mas nem por isso deixa de ser estimulante, já que trabalha ao mesmo tempo tonificação da musculatura e condicionamento físico, e os professores adotam, inclusive, conceitos de neurolingüística para entusiasmar a turma. "A musculação é considerada meio monótona por alguns alunos por ser uma atividade individual. Já o body pump é mais sociável, com música e coreografia empolgantes, o que influencia no resultado final", observa Gilberto Barbedo Zacouteguy, proprietário da academia Racer, de Florianópolis, e treinador pro da modalidade em Santa Catarina.
Testado em um grupo heterogêneo de mil pessoas, o body pump provou não oferecer risco de lesões, fruto de sete anos de aperfeiçoamento. Apesar de já ter saído do forno há um bom tempo, o programa só aterrissou em terras tupiniquins no ano passado, trazido pela Fitness Brasil, que criou o Pump Brasil em associação com a Raia 4. Importação aprovada, a febre não tardou a contagiar o país. Em Joinville, na academia The Best, Daniela Azambuja e Rubia Carla dos Santos também são feras na modalidade que já ganhou, inclusive, novas versões, como o lift training, adotado este mês pelas academias On Line e Gemitt, de Florianópolis. "A diferença do lift para o body pump é que ele utiliza dumble (duas barras com anilhas) e é mais flexível: a planilha-padrão de aula pode ser adaptada pelos professores de acordo com o nível da turma", explica a mestra em fitness Karla Bressan.
"Outra vantagem dessas aulas é que elas são conduzidas por dois professores simultaneamente. Enquanto um explica as seqüências, o outro corrige e orienta os alunos", salienta Karla, que completa: "Também há lista de presença, para que os alunos sejam o mais assíduos possível". O que, aliás, é um desafio para as academias numa sociedade em que "tempo é dinheiro". Tanto que os maiores fitness centers do Estado estão oferecendo sessões "relâmpago" para o treinamento de glúteos e abdômen, além de alongamento. Cada aula tem uma zona alvo específica e dura de 15 a 30 minutos. O atleta pode, inclusive, fazer uma delas pela manhã, outra à tarde e ainda dar um reforço à noite. Segundo pesquisas apresentadas durante o congresso do American College of Sports Medicine, em junho, nos Estados Unidos, os benefícios obtidos por quem se exercita sem interrupções e por quem malha em horários intercalados foram os mesmos em nove dos 11 grupos comparados.
Mas o arsenal à disposição dos "marombeiros", eternamente em guerra com os contornos do corpo, contabiliza muito mais armas poderosas. Sem impacto, excelente para glúteos e coxas e especialmente indicado para queimar calorias, o bike training é um treinamento em bicicletas ergométricas de última geração, que simulam subidas e descidas com uma série de intensidades distintas.
Oferecidas pela Racer, as sessões duram meia hora, são orientadas por um professor e podem ser feitas por pessoas de todas as idades, que ajustam a carga à sua capacidade. Para quem não se intimida na hora de superar desafios sozinho, na Gemitt o aluno pode suar a valer pedalando na bicicleta, andando na esteira, remando e até mesmo subindo escadas sem sair do lugar. Os aparelhos são hi-tech, e o mais novo deles, a Escada, define quantos degraus são
"escalados" por minuto, a freqüência cardíaca, o consumo calórico e o total de andares desbravados. Com tanto incentivo, as praias têm tudo para virar passarela no próximo verão.