Toshie Kobayashi

Toshie Kobayashi

Por Ana Francisca Ponzio

 

Quando surgiu a escola dirigida por você?

Toshie Kobayashi - Minha escola foi fundada cerca de 25 anos atrás em São Caetano do Sul, região da chamada grande São Paulo, que engloba também os municípios de Santo André e São Bernardo. Desde aquela época, a tradição do ensino de balé clássico se manteve. Nada vinga além dessa modalidade, seja jazz, sapateado ou ginástica. Quem procura minha escola, que é mantida com recursos próprios, quer realmente fazer clássico com seriedade.

Quantos alunos a escola possui e como é o currículo?

Toshie - Hoje, com a crise, temos cerca de 200 alunos. Conto com oito professoras, todas crias minhas, que difundem três condições básicas para quem estuda em minha escola: disciplina, respeito e educação. Também ensinamos história da dança e história da música, mas estas não são aulas obrigatórias. Eu, pessoalmente, procuro estimular entre os alunos hábitos como a leitura, a freqüência constante a espetáculos de ópera, música e dança. Acho que sete anos é a idade ideal para começar a estudar balé clássico. No entanto, temos aulas de "baby class", para crianças a partir de cinco anos, que enfatizam mais a musicalidade e a coordenação.


A escola é reconhecida oficialmente?

Toshie - Não dou diploma. Procuro preparar as alunas para tentar uma boa escola fora do Brasil ou ingressar em uma boa companhia. Minha predileção pessoal - e isso se tornou uma tradição em minha escola - é a preparação do bailarino. Acho que tenho dom para isto, gosto de ficar em uma sala seis, sete horas, completamente envolvida com o aperfeiçoamento técnico de um aluno. Andréa Thomioka, que estudou comigo durante dez anos, enfrentou esse processo diário até chegar a ganhar a medalha de bronze no Concurso do Japão, em 1995, e medalha de ouro na competição de Varna, na Bulgária, no ano seguinte. Sempre investi em meus alunos, viabilizando viagens e permitindo que eles freqüentassem  festivais como o de Joinville.

A perspectiva de entrar em uma companhia é fundamental para os alunos?

Toshie - Sempre pensei em ter uma companhia própria, mas no Brasil é muito difícil manter um grupo, principalmente de dança clássica, e eu não tenho tempo para correr atrás de patrocínios.


Como foi sua formação?

Toshie - Minha mãe, nissei, tinha muita cultura e ela me motivou a estudar piano, flauta e também odori, que é a dança tradicional japonesa. Depois, eu comecei a aprender balé clássico em São Paulo, onde nasci, com a professora italiana Carmem Bonn, que ensinava com muito rigor o método Cechetti. Mais tarde, entrei na Escola Municipal de Bailados, onde tive Marília Franco como mestra. Na época os alunos dançavam no corpo de baile do Teatro Municipal e eu participei de grandes balés. Também dancei na Ginkana Kibon, programa dominical de televisão, apresentado por Vicente Leporace, que marcou os anos 60.